SÃO PAULO – Diego Tardelli acaba de receber mais uma grande chance de explodir. Após a saída de Emerson Leão do São Caetano, o jogador resolveu seguir também o seu rumo e foi para o PSV Eindhoven, da Holanda. Vinculado ao São Paulo, ele quer aproveitar a passagem pelo futebol holandês para cavar espaço num gigante da Europa ou então para retornar ao São Paulo.
Você tem saudades do São Paulo? Muita!! Muita saudade!! O clima ali é diferente. Tudo lá é diferente. Um clube que, para onde você vai, todo mundo te conhece. É autógrafo ali, autógrafo lá. Jogar no São Paulo é uma maravilha. E eu gosto muito, mas muito mesmo de lá. Espero voltar logo, o mais rápido possível.
Quando você surgiu, era uma promessa, jogou em categorias de base da seleção... Por que sua carreira entrou em declínio? Fui imaturo. Não soube lidar com a fama, me deslumbrei. Saí do interior com 16 anos e vim jogar em um clube grande como o São Paulo. Aí você ganha um salário, depois começa a aumentar... Aí você se empolga, começa a sair, conhecer lugares, ouvir as pessoas erradas, e isso acabou me prejudicando bastante. Mas eu dei a volta por cima, fui campeão paulista, da Libertadores, fui artilheiro, vice-artilheiro. Aí tive um mau momento ano passado, mas fui para o Bétis e foi ótimo. É claro que o cara se empolga quando é novo. Mas eu tive total apoio do meu pai. (o ex-jogador, Tadeu, meia direita que atuou no Cruzeiro, Atlético-MG, e na Inter de Limeira até 1996)
Você acha injusto ser perseguido por sair à noite? Tudo tem o seu preço. A gente deixa de fazer muitas coisas para se dedicar à carreira. Mas é gostoso. O que eu passei foi coisa de moleque, agora as coisas são diferentes.
Aos 21 anos, você acha que consegue retomar o rumo que sua carreira tomava no início do São Paulo? Consigo sim, com certeza. Só precisa voltar a confiança. No meu caso, é importante viver um bom momento para poder voltar para o São Paulo e ir para a Seleção. As Olimpíadas estão aí. E o meu sonho é esse.
Quem viu você fazendo os primeiros jogos pelo São Paulo imaginava que a essa altura você já poderia estar na Seleção... Eu acho que me escapou tudo isso pelo passado que eu tive, que foi conturbado. Fiquei com o nome sujo. Mas sou novo, sou jovem e tenho mais 10 anos pelo menos para jogar pela seleção. Meu objetivo principal é esse. Já passei pela base, e quem passa por ela sempre tem condições de chegar à Seleção principal.
Olhando para trás, Tardelli, o que você teria feito diferente? Lógico que a gente se arrepende de bastante coisa que a gente fez. No meu caso me arrependo do que passei com o Cuca (ex-técnico do São Paulo), mas que é até normal. Isso vai apagando com o tempo. Você esquece, vai pensando em outra coisa. Já me arrependi de muita coisa que eu fiz, mas dá tempo ainda de recuperar.
Qual é a coisa da qual você mais se arrepende de ter feito? Acho que foi o começo com o Cuca. A minha imagem não ficou boa. Lembra quando você foi me entrevistar em Barueri? Poxa, eu fiquei arrasado quando fui afastado do time. Nunca tive problema com treinador nenhum, eu não sou assim. Aquilo tudo foi coisa de momento, eu estava empolgado e escutei certas pessoas. Acabei sendo prejudicado.
Se arrependeu de ter ido pra balada? Eu me arrependi de não ter escutado, de não ter concentrado os três dias antes que o Cuca pediu. Mas isso foi um problema, eu devia ter ouvido, dormido no CT. Nada daquilo teria acontecido.
Em quais times do exterior você sonha em jogar? Jogar na Europa é bom demais. Jogar no Real e no Barça é um sonho que todo jogador deve ter. É demais jogar contra os melhores do mundo. E eu ainda troquei camisa com o Zidane! Isso me deixou mais feliz ainda.
Quem foi o melhor técnico que já apareceu na sua frente? Emerson Leão
Por quê? Porque no ano passado eu estava largado, desanimado. Mas ele sempre teve vontade de jogar comigo. Trabalhamos juntos e quase fui o artilheiro do Paulista de 2005. Ele sempre me deu confiança, dava a cara pra bater. Ele é profissional, fala na cara, tenho muito respeito por ele e amizade. Nos entendemos muito bem. Até hoje eu levo ele comigo. Sou muito grato a ele por tudo o que ele fez por mim. No meu último gol na Libertadores (na final diante do Atlético-PR – 4 x 0) eu pensei nele.
Você chegou a ficar depressivo com essa história toda? Fiquei muito mal. Mas não tive culpa, eu era sempre o bode expiatório do São Paulo. Me irritei tanto que acabei falando o que não devia (Tardelli disse que nunca mais queria jogar no São Paulo e deixou o clube). Mas sabe? Não me arrependo exatamente do que eu fiz aquele dia. Porque era por causa de algumas pessoas dentro do São Paulo que não valiam a pena.
Muitos jogadores odeiam o Leão, ele ganhou na pesquisa Placar como o técnico mais odiado. Você parece se dar bem com ele, ele gosta de você. Por quê? Porque desde o primeiro instante eu fui sincero com ele. Ele viu o que aconteceu comigo, procurou saber a história. Tem muita gente que fala dele sem saber como ele é. Um simpatizou pelo outro e eu dentro de campo fiz por onde também. Participei de um título pra ele e com ele.
O DVD do São Paulo campeão da Libertadores 2005 acaba praticamente com o seu gol contra o Atlético-PR na final. Esse é o seu grande orgulho no futebol ou há outros? Sim, sem dúvida foi o gol mais importante.
Em todas as profissões se encontram gays. Já jogou com algum? Já joguei com gays sim. Ele era goleiro do União Barbarense.
Existem muitos homossexuais no futebol? Tem muito, mas eles são discretos. Não dão brecha! Tem em toda parte, time pequeno, time grande...
Já passou algum aperto com algum jogador gay? Ah, tem... mas é chato contar né!
Ah, Tardelli, conta pra gente, vai... Ai... tá bom! Foi no Rio Branco de Americana. Eu não acreditava que o cara era viado, mas o time inteiro comentava. E aí a gente sempre jogava uma peladinha à noite. Eu morava perto da casa dele e aproveitei e peguei uma carona. Aí ele me chamou pra ir pra casa dele. Eu fui e ele queria ficar comigo! Nossa, saí fora de lá e nunca mais saí e nem falei com ele...
Onde ele está agora? Sabe que eu nem sei? (Risos)
Por quê você não ficou no Betis? Ah, eu fiquei sete meses... só não continuei por causa do Ricardo Oliveira. Eu ocupava a vaga dele de estrangeiro. Só que ele acabou ficando no São Paulo.
E a noite de Sevilha, deu pra curtir? Arrumou namorada por lá? Porque é que tem que falar de noite, hein?!!
Ué, vai me dizer que você não saiu lá? Pior que não, eu estava noivo! Lá a vida de jogador não é fácil. Você vai na esquina e todo mundo fica sabendo.
Valeu a experiência no Betis? Pra mim foi maravilhoso. Aprendi a língua, várias coisas. Outro dia deu saudade de lá... vou ver se volto.
Você ainda vai muito no Morumbi e aparece no camarote Placar. Sonha um dia voltar ao Tricolor? Opa, to sempre lá, tenho vários amigos no São Paulo. Sou são-paulino e vou lá torcer com certeza.
Quem foi morar com você na Espanha? Minha noiva, Vanessa, com quem estou junto há três anos.
É melhor comprar roupas aqui ou na Espanha? Nossa, eu fazia a festa, ia para Madri direto. Era ganhar o bicho e eu já corria para fazer as compras, ainda mais no verão que lá faz 45 graus. Mas eu gasto com consciência.
Quando você gasta em roupas por mês? Ah, não sei, mas é pouquinho viu! (risos)
Shopping é pra você o melhor remédio para quando se está em um dia ruim? É a melhor coisa! Sai todo mundo feliz e contente.
Jogador quando perde o jogo vai para o shopping? Opa, eu vou! Gasto e recebo o carinho dos torcedores. Não tem como ficar triste.
Você usa muito Armani, né? Tentou descolar um contrato como tem o Kaká ou é tudo no bolso, mesmo? Tem um amigo meu que trabalha na Armani de Sevilha. De tanto eu comprar, até ganhava algumas coisas de vez em quando. Tentei fazer uma social para ganhar um contrato, mas o Kaká é o Kaká, né. Com aquela pinta toda de galã facilitou, né?
Quem são seus amigos no futebol? Vixi, me pegou. Fábio Santos, que está no Japão, o Souza, que está no São Paulo... amigos são poucos, temos mais é colegas.
Tem muito jogador traíra? É o que mais tem, viu! Já fizeram muita sacanagem comigo, falar mal de mim pro treinador. Mas sobre isso eu não posso falar!