Fifa exige boa saúde financeira de clubes
31/07 - 05h21
A Fifa, entidade que controla o futebol mundial, baixou circular na qual põe o saneamento financeiro dos clubes como um pré-requisito para que eles possam disputar campeonatos.
O assunto tem ganhado espaço. Seja pela situação na Argentina, que suspendeu o reinício do futebol até que os clubes paguem suas dívidas, seja pela recente sugestão no Clube dos 13, de instituição de um teto em folha salarial para os clubes. A ideia é que as confederações continentais, como é o caso da Conmebol, produzam regulamento de licenças para clubes, segundo comunicado da Fifa a que a Folha teve acesso. As exigências que os clubes terão de cumprir para ter direito às suas licenças se dividem em cinco tópicos: o esportivo, o de infraestrutura, o administrativo, o legal e o financeiro. No caso do último tópico, as exigências tratam da transparência financeira dos clubes e da inexistência de dívidas. Inicialmente, tais exigências funcionarão para torneios continentais, casos da Copa Sul-Americana e da Libertadores. Porém, com o tempo, serão estendidas às competições nacionais, como o Brasileiro. ""A Fifa copiou o que a Uefa já faz na Copa dos Campeões e na Copa da Uefa", explica Eduardo Carlezzo, advogado especialista em questões ligadas à Fifa. ""Em competições nacionais, como o Brasileiro, essas regras terão de começar a ser implementadas a partir da temporada 2010/11", diz o especialista, ao lembrar que as dívidas a que se referem a circular podem ser salariais, com outros clubes e até mesmo com o governo. Segundo Carlezzo, pelo cronograma da Fifa, a Conmebol deve neste ano aprontar seu regulamento para a concessão das licenças. ""Teoricamente [a Conmebol], tem que ter algo pronto já a partir de agosto." ""É algo que já acontece na Europa. No Brasil, acredito que deverá ser exigido pela CBF. É a Fifa que quer isso", concorda Rinaldo Martorelli, integrante da entidade máxima do futebol e presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de SP. Segundo a circular da Fifa, haverá período de carência para o cumprimento dos critérios financeiros. ""Acho que será de uns três anos", diz Carlezzo. Eles serão divididos em grupos. Alguns serão obrigatórios, e outros, opcionais. Após um tempo para os clubes se adaptarem às regras, os opcionais poderão se tornar obrigatórios.