Tricolor x Corinthians vê um tabu pelo avesso
09/09 - 01h42
Rogério Ceni: tabu.
Técnicos e jogadores podem não estar nem aí, mas um tabu histórico pode ser atingido pelo São Paulo neste domingo, às 16h, no Morumbi.
Sem perder para o Corinthians há 11 jogos, o líder do Brasileirão joga para consolidar sua vantagem na competição e igualar a marca de 12 jogos de invencibilidade que o seu rival construiu nos confrontos da segunda metade da década de 1970.
Ostentando quatro pontos de vantagem para o Santos e ainda com um jogo a menos, o São Paulo carrega o seu favor um histórico de triunfos recentes contra o Corinthians, que após sete jogos sob o comando de Emerson Leão deixou a lanterna, saiu da zona de rebaixamento e ainda deu passo importante para avançar em outra competição, a Copa Sul-Americana.
O São Paulo não perde para o Corinthians desde 22 de março de 2003, final do Paulistão daquele ano. Desde então, acumulou oito vitórias e três empates, incluindo o jogo de 7 de setembro de 2005, partida anulada posteriormente por ter sido apitada pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, envolvido em um esquema de apostas de resultados.
O jejum amargado pelo Corinthians teve início em 15 de junho de 2003, quando o São Paulo venceu por 2 a 1, pelo Brasileirão, com gols de Fábio Simplício e Jean, e o zagueiro Anderson descontando para a equipe derrotada.
A trajetória sem sofrer revés para um rival tão tradicional, no entanto, já foi experimentada pelo Corinthians, que entre 1976 e 1979 acumulou oito vitórias e quatro empates, em um período que o São Paulo contava entre seus titulares com o cabeludo meia Muricy, justamente o seu atual treinador.
Em 1976, após vencer por 2 a 1 - Bezerra e Pedro Rocha marcaram para o São Paulo, e Romeu para o Corinthians - um amistoso no estádio José Nogueira, no município paulista de Guairá, o Tricolor viu a desconfortável série de tropeços começar no dia 8 de agosto, quando perdeu por 1 a 0 com um gol de Ivã, em jogo válido pelo Paulistão.
O suplício, porém, foi interrompido quando o Corinthians tentava terminar o 13º clássico sem perder para o São Paulo, que no dia 13 de julho de 1980 enterrou o tabu com uma vitória magra definida com um gol marcado por Serginho Chulapa em jogada que o zagueiro Amaral pediu falta.
A marca desenhada pelo São Paulo ao longo de três anos gerou, inclusive, uma série de provocações, concentradas principalmente no ano passado, quando o superintendente de futebol do clube, e tradicional provocador, Marco Aurélio Cunha, brincou com a falta de vitórias do Corinthians.
Situação que o dirigente não abandona nem agora, quando sua equipe não consegue esconder a pressão causada pela derrota para o Boca Juniors, pela Recopa Sul-Americana, e pelos dois vice-campeonatos da temporada -Paulista e Libertadores. "É uma crise programada. Todos já sabem que acontece isso com um resultado ruim. Estamos até orientados nesse caso", ironizou Cunha.
O técnico do Corinthians, porém, não se ilude, até porque tem total noção dos 16 pontos que o distanciam para o rival deste domingo. "O São Paulo tem muita gordura para queimar em relação ao Corinthians", afirma Leão, que avalia que "os dois estão em bons momentos, mas em pólos diferentes da tabela, e quem precisa mais do resultado somos nós".
Os são-paulinos discordam. "Perder um clássico é complicado. É só ir lá no Palmeiras e ver como ficou depois do 5 a 1 que levaram contra o Santos. Em casa mesmo, você fica diferente, muda o humor com os seus familiares", analisa o atacante Leandro, que quando jogava pelo Corinthians nunca perdeu para o São Paulo, assim como acontece com Amoroso, que vai estrear domingo pelo Timão, equipe para quem nunca perdeu quando defendia o Tricolor, em 2005.
Amoroso, aliás, é apenas uma das três novidades preparadas por Leão para encorpar ainda mais o Corinthians, que após sentir alívio por se afastar da 'degola' começa a vislumbrar até uma vaga na Libertadores. O atacante deve começar como titular, assim como o lateral César e o volante Magrão. A surpresa pode ser a eventual saída de Rafael Moura para a entrada de Rosinei, que reforçaria a marcação no meio-campo.
Mesmo setor que Muricy Ramalho vai dedicar atenção especial para tentar levar a melhor contra o Corinthians. Após testar um 4-4-2 que se mostrou ineficiente em Buenos Aires, o técnico deve revitalizar o 3-6-1, com Danilo e Lenílson na armação, Leandro improvisado na ala direita e Thiago isolado na frente. Para ajudar, Júnior volta após quatro jogos para ocupar a faixa esquerda.